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Os bilionários assaltam o céu

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Estas “aventuras espaciais” estão a ser preparadas há muito. Jeff Bezos foi o pioneiro, em 2000, com a criação da Blue Origin. Elon Musk, seguiu-lhe o exemplo com a fundação da Space X, em 2002. Apesar das mentiras sem castigo em que Musk é pródigo (como a de enviar astronautas para Marte em 2024!), a sua empresa tem funcionado como um táxi que conduz clientes abastados para a Estação Espacial Internacional. Richard Branson, em 2004, foi o último do triunvirato, com a sua Virgin Galactic Holdings Inc. Estas empresas, ao contrário da propaganda que estes bilionários impingem na imprensa e redes sociais, em nada vão contribuir para o alargamento do conhecimento científico. O seu alvo é o mercado de milhares de multimilionários e novos-grandes-ricos, nascidos da brutal desigualdade do neoliberalismo global das últimas décadas. É um mercado de vaidades que o banco helvético de investimento, UBS, avalia já em 244 mil milhões, com potencial para crescer até 800 mil milhões em 2030. O impacto ambiental destas viagens para narcisistas incuráveis será tremendo para as alterações climáticas e para reabrir feridas na camada de ozono. Vai na contracorrente dos esforços internacionais, nomeadamente da UE e dos EUA, para cortar radicalmente as emissões de gases de estufa. Inexplicavelmente, ou talvez não, tanto a NASA como o regulador federal da aviação (FAA) parecem estar abertos para deixar seguir adiante esta empresa insensata. Será que o presidente Biden quer imitar Trump, um entusiasta destes projetos?

A expressão “assalto ao céu” ( Angriff auf den Himmel ) foi escrita por Marx, a propósito da trágica Comuna de Paris (1871). O conceito de “assalto” tem, tanto no alemão como no português, uma conotação bélica, que faz sentido aplicada à revolução armada do povo de Paris. Contudo, neste caso dos bilionários estamos em presença do outro significado da palavra. Na verdade, este assalto ao céu trata-se de um roubo descarado do património comum da humanidade, servido por especialistas na arte de confundir ilusões com argumentos, e apoiado por políticos venais, oscilando entre obediência e silenciosa cumplicidade. Quando a humanidade começa a mergulhar na fase socialmente mais aguda da pandemia, e as alterações climáticas tanto atacam os camponeses de Moçambique como os prósperos habitantes de Koblenz, os bilionários – rostos da injustiça que governa o planeta – resolvem privatizar o espaço e a atmosfera. A angústia universal serve de manobra de diversão para ganhar mais uns dólares. Para eles, ficam os lucros. Para nós, a fatura de um futuro cada vez mais sombrio. Mas não está escrito em parte alguma que isto é uma fatalidade. Aqui estaria uma boa ocasião para a União Europeia mostrar o que vale junto do governo de Joe Biden

Nas últimas semanas, os nomes de três dos mais mediáticos bilionários globais – Jeff Bezos, Richard Branson e Elon Musk – têm estado nas notícias por aquilo que é apresentado como uma corrida de machos alfa para saber quem é que vai mais longe no espaço. Como Branson se antecipou à viagem que Bezos realizará no próximo dia 20, este ripostou dizendo que será ele a atingir o limiar da linha de Kármán, a linha convencional, a perto de cem quilómetros de altitude, que separa a periferia da atmosfera terrestre do espaço exterior. Contudo, o que move estes gigantes não é uma luta pelo prestígio, mas a ganância nua e crua. Estes bilionários querem criar um novo mercado para enriquecerem ainda mais.

Estas “aventuras espaciais” estão a ser preparadas há muito. Jeff Bezos foi o pioneiro, em 2000, com a criação da Blue Origin. Elon Musk, seguiu-lhe o exemplo com a fundação da Space X, em 2002. Apesar das mentiras sem castigo em que Musk é pródigo (como a de enviar astronautas para Marte em 2024!), a sua empresa tem funcionado como um táxi que conduz clientes abastados para a Estação Espacial Internacional. Richard Branson, em 2004, foi o último do triunvirato, com a sua Virgin Galactic Holdings Inc. Estas empresas, ao contrário da propaganda que estes bilionários impingem na imprensa e redes sociais, em nada vão contribuir para o alargamento do conhecimento científico. O seu alvo é o mercado de milhares de multimilionários e novos-grandes-ricos, nascidos da brutal desigualdade do neoliberalismo global das últimas décadas. É um mercado de vaidades que o banco helvético de investimento, UBS, avalia já em 244 mil milhões, com potencial para crescer até 800 mil milhões em 2030. O impacto ambiental destas viagens para narcisistas incuráveis será tremendo para as alterações climáticas e para reabrir feridas na camada de ozono. Vai na contracorrente dos esforços internacionais, nomeadamente da UE e dos EUA, para cortar radicalmente as emissões de gases de estufa. Inexplicavelmente, ou talvez não, tanto a NASA como o regulador federal da aviação (FAA) parecem estar abertos para deixar seguir adiante esta empresa insensata. Será que o presidente Biden quer imitar Trump, um entusiasta destes projetos?

A expressão “assalto ao céu” ( Angriff auf den Himmel ) foi escrita por Marx, a propósito da trágica Comuna de Paris (1871). O conceito de “assalto” tem, tanto no alemão como no português, uma conotação bélica, que faz sentido aplicada à revolução armada do povo de Paris. Contudo, neste caso dos bilionários estamos em presença do outro significado da palavra. Na verdade, este assalto ao céu trata-se de um roubo descarado do património comum da humanidade, servido por especialistas na arte de confundir ilusões com argumentos, e apoiado por políticos venais, oscilando entre obediência e silenciosa cumplicidade. Quando a humanidade começa a mergulhar na fase socialmente mais aguda da pandemia, e as alterações climáticas tanto atacam os camponeses de Moçambique como os prósperos habitantes de Koblenz, os bilionários – rostos da injustiça que governa o planeta – resolvem privatizar o espaço e a atmosfera. A angústia universal serve de manobra de diversão para ganhar mais uns dólares. Para eles, ficam os lucros. Para nós, a fatura de um futuro cada vez mais sombrio. Mas não está escrito em parte alguma que isto é uma fatalidade. Aqui estaria uma boa ocasião para a União Europeia mostrar o que vale junto do governo de Joe Biden.

Professor universitário